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Vendedor novo, caso real.
O Oz põe agentes de IA para trabalhar a receita da sua empresa, com gente nossa operando junto. Esta nota mostra um plano de onboarding de vendedor novo em 30-60-90 dias, feito com propostas e conversas reais da própria empresa.
Para quem dirigePara o comercial
Nesta nota
O vendedor novo chega na segunda-feira, recebe um acesso, uma apresentação do produto e uma pasta de material. Na quinta, atende o primeiro cliente real, e a primeira pergunta do cliente é sobre um pedido que a empresa já recusou duas vezes, por um motivo que ninguém contou ao novato.
É o jeito comum de fazer o onboarding de um vendedor, e é nele que um plano de integração costuma falhar: ele ensina a empresa em geral e deixa para o cliente ensinar a empresa em particular. Um plano de integração de vendedor de 30-60-90 dias funciona quando o novo vendedor estuda casos reais da própria empresa desde a primeira semana.
Esta nota descreve esse plano, janela por janela. Ela é um método: serve para qualquer time, com ou sem o Oz. No Oz, os agentes montam os casos a partir do que a empresa já registrou, e a pessoa do Oz que cuida da sua conta acompanha o plano junto com o gestor.
Onde o onboarding falha
O onboarding comum se organiza em torno do que a empresa quer dizer: história, produto, tabela de preço, regras do CRM. Tudo isso é necessário. O problema é a ordem. O vendedor passa semanas ouvindo como a empresa vende em teoria e só depois encontra como ela vende de fato.
Um plano 30-60-90 tem uma boa ideia, que é cortar a integração em três janelas com um objetivo cada. Falha quando as janelas viram promessa ("no dia 90, o vendedor bate meta") ou quando cada janela vira só mais um módulo de curso. Uma janela precisa dizer o que acontece nela, com quem e com que material. O que o vendedor entrega no fim dela é uma consequência, e o plano não tem como garantir.
O que o novato estuda
O material do plano é o registro da própria empresa: as propostas enviadas, as conversas com clientes, as reuniões gravadas e os negócios ganhos e perdidos. O que muda para quem acabou de entrar é a ordem. Primeiro o caso que já terminou, depois o caso que ele refaz e, por fim, o caso que é dele.
A nota sobre treino com caso da casa trata de como o time inteiro treina com esse material. Aqui o foco é mais estreito: como usá-lo para quem acabou de entrar, e em que ordem.
Dias 1 a 30: ouvir
Na primeira janela, o vendedor novo lê e ouve. Cada semana tem um tema, e cada tema vem com casos reais:
- Como chega um contato e como a empresa responde.
- Como é uma proposta que fechou e como é uma que foi recusada.
- Quais objeções voltam, e como o vendedor mais antigo responde a cada uma.
- Quem são os clientes que ficaram, e por que ficaram.
Quem escolhe os casos é o gestor comercial, junto com um vendedor experiente. O novo faz uma tarefa simples com cada caso: dizer, em poucas linhas, o que o cliente queria, o que a empresa respondeu e o que ele mesmo teria feito. Essa anotação é o primeiro termômetro. Mostra o que ele entendeu e o que o plano ainda precisa explicar.
Nessa janela entra também o acompanhamento ao vivo: o novo ouve atendimentos de um colega, sem falar.
Dias 31 a 60: refazer
Na segunda janela, o vendedor refaz. Pega um caso que já aconteceu, escreve a resposta que daria e compara com a que a empresa deu. Onde as duas diferem, a conversa com o gestor é sobre o motivo, e não sobre quem estava certo. Às vezes a empresa tinha uma razão que o novo não via. Às vezes o novo viu algo que a empresa não via, e o gestor registra a diferença para a próxima revisão do plano.
É nessa janela que o vendedor assume as primeiras conversas, com um colega ao lado e revisão depois. A revisão usa a própria conversa dele como caso, com o mesmo formato dos casos da primeira janela.
Dias 61 a 90: conduzir
Na terceira janela, o vendedor conduz contas próprias, com revisão de gestor em intervalos combinados. O material de estudo agora é dele: a proposta que ele enviou, a objeção que ele ouviu, o cliente que ele perdeu.
No fim da janela, há uma reunião de revisão com duas perguntas. Quais contas este vendedor já conduz sem um colega ao lado? E o que, neste plano, precisa mudar para o próximo que entrar?
Figura 1Três janelas, um plano.
O que acontece em cada janela, com que material e com quem.
| Janela | O vendedor | O material | Com quem |
|---|---|---|---|
| Dias 1 a 30 | Ouve e lê. Escreve o que teria feito. | Propostas, conversas e reuniões da empresa, ganhas e perdidas | Gestor e um vendedor experiente |
| Dias 31 a 60 | Refaz casos. Assume as primeiras conversas. | Os mesmos casos, mais as conversas dele | Um colega ao lado, revisão depois |
| Dias 61 a 90 | Conduz contas próprias. | As propostas e objeções dele | Gestor, em intervalos combinados |
Como preparar os casos
Um caso bom é curto, completo e fiel. Tem o pedido do cliente, a resposta da empresa e o que aconteceu depois, inclusive quando o final foi ruim.
Antes de entrar no plano, cada caso passa por uma limpeza. Nome de pessoa, telefone, condição comercial combinada em sigilo e qualquer dado de cliente que o vendedor novo não precisa para aprender saem do texto. Quem decide o que sai é a empresa, pela regra que ela já tem. Os casos ficam num lugar só, para que o próximo vendedor a entrar use o mesmo conjunto, já corrigido pelo que o anterior aprendeu.
O que este método custa
O plano tem um custo claro: tempo de quem sabe. O gestor e o vendedor experiente gastam horas escolhendo casos, revisando anotações e conversando sobre as diferenças. Em semana de fechamento, esse tempo faz falta.
Há também um limite. Uma empresa jovem pode ainda não ter casos suficientes, e um catálogo que mudou muda o que um caso antigo ensina. Nesses cenários, o plano começa com poucos casos e os completa conforme os negócios acontecem. Um plano assim é menor, e funciona na medida do que a empresa já registrou.
Por fim, o plano organiza o aprendizado. Se o vendedor vai vender mais cedo, só os negócios dele vão dizer, e isso se acompanha no CRM, no ritmo que a empresa já usa.
Perguntas
30-60-90 é onboarding?
É uma parte dele. Onboarding é o processo inteiro de integrar a pessoa: acesso, cultura, produto, cargo. O plano 30-60-90 organiza, dentro dele, o aprendizado comercial em três janelas. Uma empresa pode ter onboarding sem plano 30-60-90.
E sem conversas gravadas?
Comece pelas propostas enviadas e pelos e-mails, que quase toda empresa tem. A conversa gravada ajuda, mas o plano roda sem ela. Para os próximos casos, vale combinar com o time o que registrar de cada atendimento, para o plano ficar melhor a cada vendedor que entra.
Só casos de sucesso servem?
Não. Os negócios perdidos e as propostas recusadas mostram em que ponto o cliente desistiu, e é isso que o novo mais precisa ver. Um conjunto só de vitórias passa a ideia de que existe um roteiro certo, e o cliente real não segue roteiro.
Para quem dirige
O onboarding pode ficar com o RH ou ficar com o comercial. O plano com casos reais o põe no comercial: as propostas e as conversas da empresa viram o currículo do vendedor novo. E cada vendedor que entra deixa o plano um pouco mais ajustado para o seguinte.
O caminho contrário também pesa: o que se perde no dia em que um vendedor sai está em quando alguém sai. Para ver como o trabalho começa, leia o diagnóstico passo a passo.


